Poeminha de um dia nublado



Toda tempestade traz a bonança,

isso sempre nos diz a razão e a esperança.



De que valeriam os dias frios,

não fosse o calor das pessoas.



Qual seria a beleza e a imensidão dos rios,

sem seus desvios e o beijo doce da chuva e da garoa.



A vida não segue um curso reto,

A tempestade nunca dura todo tempo.


Sendo nós poeira cósmica, 



reminiscência das estrelas, 



estamos sentenciados a sermos 



o tudo 



e o apenas.
Meu poema predileto do velho comunista chileno.













'A Timidez

Apenas soube, só, que eu existia
e que poderia ser, ir continuando,
tive medo daquilo, desta vida,
e quis que não me vissem
que não conhecessem minha existência.
Ficando magro, pálido e ausente,
não quis falar para que não pudessem
reconhecer minha voz, não quis ver
para que não me vissem,
andando, me colei contra o muro,
uma sombra que se movimentasse.

Eu tinha me vestido
de telhas rotas, de fumo,
para seguir ali, mas invisível,
estar presente em tudo, mas distante,
guardar a própria identidade obscura
atada ao ritmo desta primavera.

Um rosto de menina, um golpe puro
de um sorriso partindo em dois o dia
como em dois hemisférios de laranja,
já mudara eu de rua,
ansioso pela vida e temeroso,
perto da água sem beber o frio,
perto do fogo sem beijar a chama,
e me cobriu uma máscara de orgulho,
e fiquei magro, hostil como uma lança,
sem escutar ninguém
- porque eu é que impedia -
encerrado
como a voz de um cachorro ferido
desde o fundo de um poço.'

                                                                Pablo Neruda













POEMA DO MEU ENCONTRO

Penso em ti como complemento,
embora saiba que paixão é etérea,
prefiro a saciedade de um sentimento
do que a servidão vulgar à matéria.


Assim me completo em ti,
e sem você sou reles metade.
Parte que antes consenti,
que agora descobriu a felicidade.


Pois paixão que é saciada,
se enche de claridade e cor.
Vejo uma nova forma sendo criada,
que com o tempo chamo de amor.


E desta metamorfose em devir,
me torno fiel dependente.
Vício que me faz sorrir,
e que consome alma e mente


Mas de tanto amor não perecerei,
embora agora possa dizer,
que para você sempre viverei.
Pois pior é ser metade, vazio ou não ser


                                                                Rafael Cesar Ilha Pinto
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<<<<<<<  Sendo ou não  >>>>>>>





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--- Sendo muito daquilo, um pouco desse, um pouco de ontem, menos ainda de agora ---

Ser melhor ou ser pior fazem diferença apenas no limiar;

Mediatizando diuturnamente o fardo da necessidade e a carência incessante por liberdade vendável/vigiada (ora, aquilo que ninguém consegue mensurar mas muitos anseiam);








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Dinâmica da vida? Pois não! Apenas mais um momento de unir aquilo, esse, ontem e reminiscências do agora para juntar tudo na distopia da DÚVIDA. Monarca mal compreendida...





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Desencontro

  "...eu quero o mundo e não consigo passar pelo vestíbulo
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dentro, muito pouco de mim e muito do resto, resto de mim..."